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Textos
VOAR
Vivia a cortejá-la como um mago plácido; Em todo passo um tombo nas calçadas lúdicas; Seu corpo me abrigava numa guerra púnica: As mãos entrelaçavam meus cabelos módicos. No louco descompasso me iludia a tântrica; Seu cheiro entorpecia nos velórios sôfregos; Se em cada refazer, não fenecia a música: Dançava sem cansaço num processo lírico. Sempre aquecia a cama sem riscar um fósforo; Comia minha língua em suores sátiros; Abria sua alma e enrijecia o másculo: Fugiu da nossa vida como bruxa lépida. E via em cada rosto um sorriso bêbado; Já não mais escrevia minhas prosas tétricas; Lutei contra os demônios dessa treva sânscrita: Ousei nascer de novo, mergulhei no útero.
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Nel de Moraes |
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Publicado em 31/01/2009 às 18h04
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